apascentando estrelas entre fotogramas desalinhados
o mar bebe das sombras os corpos que se movem furtivos
sem piedade dobram-se as páginas da tua fuga
quarta-feira, 24 de junho de 2009
apetece-me ouvir o teu búzio,
bebendo no vento o gesto das flores,
sentir a minha mão como um rio abandonado
aflorando no seu gesto peregrino toda a acústica do teu mar
terça-feira, 23 de junho de 2009
e se esta noite a lua se perder
nas flores de lava,
macerando o sono na lingua sedenta
do orvalho matinal.
eu seguro as memórias
no vidro baço de um olhar abandonado
escrevendo raios felinos
no vendaval do teu mar de linho,
e quando acordar...
desaperto os laços do teu corpo feito rio
cingindo no beijo
a neblina que esconde o dia
sexta-feira, 19 de junho de 2009
hoje não te digo nada, abro-te a mão para respirar. silhetas de azul opaco escrevem rios de cera fundida...
há um gesto perseguido pelo traço inacabado das cores.
não é pecado atirar as ideias ao marulho afiado da falésia, a eternidade implicita bebe a soma das angustias e a espuma branca torna-se madrugada.
é do gesto que se procura que o caminho faz a distância, o enigma só desponta quando o corpo se abandona
quinta-feira, 18 de junho de 2009
fecha-me o instante
das portas ausentes
até que a vertigem se aperte
pelos espaços contíguos
dos meus arcos retorcidos
são as gotas do teu espírito
que se tornam corpo /[]
tu adormeces indiferente como se os livros fossem personagens esquecidos
no epilogo dos dias
na procura da ultima das luzes
o fogo torna-se ilusão
resta o suspiro
do vento que esculpe nas velas
as variações
das dunas vivas
quarta-feira, 17 de junho de 2009
o soldado... que perde a trincheira no sono absurdo da esperança, adormece a batalha no mosto sangrento de um rio ......
terça-feira, 16 de junho de 2009
a lua ganha sempre um pedaço afundado [na minha gaveta] gerando sementes de asas soltas num vento que nao sinto
despeço-me de todas as tardes com a alegria de quem não sabe ver as palavras que se tornam cidades
estranho encanto nos caminhos de final incerto...
segunda-feira, 15 de junho de 2009
são os meu olhos que fazem romarias ao cume dos meus sonhos e a pedra por entre o malabarismo da sua quietude estende os braços até ao céu no gesto efémero que toca os dias, zarpando dos rios asas do mar....
sexta-feira, 12 de junho de 2009
A minha janela é a tua blusa ... /molhada na brisa do teu suspiro
Aprendi contigo a ler o acordar de um novo dia: - Quando o cume se afunda no branco da neblina, há frio de leste abrindo passagem
Mas ouvi-te pela madrugada bebendo os meus receios.
Tocas-te a minha pele desnuda e adormeci /no teu braço estendido.
Nunca se agradece o que vem no vento!
terça-feira, 9 de junho de 2009
troquei as gaivotas pelas tuas lágrimas de chuva.. e com os dedos de esmeralda atravessados ............................. fiz-te um rasgo de luz,
dize-me o caminho... aberto nas palavras caladas do teu horizonte... e eu hei-de aparecer no invisivel sussurro da tua face
alquimia de um prazer fechado nas meias pretas da tua solidão
há tanta terra no sereno azul
da minha equação
que o mar escorre
no tremor baço
desta aguarela
impune e indiferente a noite embala
o destino obliquo da tua chuva fria
adormecem os olhos na linha alucinante dos dias
era azul... azul de céu pairando sobre o cume de um roxo ressequido de rosmaninho
segunda-feira, 8 de junho de 2009
as papoilas desfolham colinas que de mãos estendidas carregam o olhar
e as redes de rostos salgados ja não se fazem ao mar
domingo, 7 de junho de 2009
o onda é incerta nos braços do vento
e a deriva é quase destino
sábado, 6 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
pela fresta das palavras bebo o rio,
olhando na cláusura das memórias
o aroma das flores descalças
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Virámos os passos para o sol,
até que a terra se afunde.
como arpão em carne macia
quarta-feira, 3 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
é incerto o destino desta nudez cravada nas ancas de uma praia adormecida despertando lentamente até ser apenas mar..
segunda-feira, 1 de junho de 2009
abraço as pedras, estiradas pelas fendas, das paredes nuas e atiro-te um gesto através da luz adormecida ....................... devolve-me o corpo inacabado preso nas escamas das minhas dunas