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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
era sede...
de água e sal
que a tarde bebia
nos braços abertos do horizonte
há-de vir a lua
embalar o meu sono,
mãe de um verão quase colheita,
escondendo a terra
no mar chão desta seara
é vento que me quero
até moldar as ondas
do teu olhar...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
luz bebe a fronteira
entre a carne e o sonho,
enquanto os olhos dançam
com o sol poisado na mão
quinta-feira, 23 de julho de 2009
provei a tua uva, pensando que alma era branca
e o verão fugiu-me pela tua ausência mal fechada
hei-de esconder o silêncio da tua ternura
no tétrico biombo de palavras molhadas
e se um dia me encontrar no teu véu cetim
desnudo-te até beber o teu sorriso
sexta-feira, 17 de julho de 2009
singrando no nada
o vulto trémulo da cidade
paíra sobre a baía ancorada,
espero palavras
mugindo a madrugada
pela neblina alongada
das ruas ausentes
só os barcos se fazem horizonte
nos pontos perdidos
de um olhar parado...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
a neblina cinge as colinas
vestindo de aguarela o eco retorcido das badaladas.
as ruas escrevem linhas apertadas,
vestidas nos xailes urdidos de xisto e dor
terça-feira, 30 de junho de 2009
colhe a vela tarde amena,
sedenta de fruta madura...
adormece na luz calada da sombra esguia
enquanto o passo esmorece no calor da viagem.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
há uma sombra alada
no além, sempre distante
de onde a lua espreita
nesta terra d'água
amo tudo o que sendo meu
nao me pertence...
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